Um (pequeno) desabafo

Como o título deste post sugere, trata-se de um desabafo meu. Acredito que muitos (pelo menos aqueles que moram no Rio) devem ter lido no jornal O Globo sobre denúncias de desvio de verbas e maus-tratos a animais na SUIPA (Sociedade União Internacional Protetora dos Animais). Quando fiquei sabendo do que estava acontecendo, fiquei horrorizada. Não porque ajudo a entidade mensalmente, mas porque amo os animais.

Particularmente, eu não suporto ver animais abandonados, sofrendo pelas ruas sozinhos. Já cansei de ver cachorros magros, machucados, doentes, perambulando pelas ruas, atrás de comida e um lugar seguro para se abrigar. E também já cansei de ver pessoas reclamando deles, em algumas vezes até chutando e xingando. Cenas assim são de partir o coração, na minha opinião. Acho que muitas pessoas já se depararam com situações semelhantes, principalmente nos bairros não tão nobres assim aqui do Rio. O número de animais que moram nas ruas é imenso, o que também pode ser muito prejudicial para nós, seres humanos. É frequente, por exemplo, casos de acidentes de carro causados por causa de algum animal que estava por perto.

Assisti uma cena quando era mais nova que me marcou para sempre, desde então nunca mais esqueci. Voltava com meus pais da casa da minha vó, em um bairro mais humilde daqui. Paramos com o carro no sinal vermelho, e do nosso lado, na calçada, bem próximo à rua, tinha um cachorrinho tão magro que suas costelas apareciam. Ele estava comendo pedra porque não tinha o que comer. E isso era em frente a uma pizzaria. Fiquei chocada com o que vi, acho que até chorei na hora. Depois disso comecei a repensar um monte de coisas.

A maioria das pessoas não entende, ou prefere criticar esse tipo de sentimento que tenho em relação aos animais. Já ouvi muitos dizerem “Ah, mas tem um monte criança abandonada por aí em situações iguais ou piores! Elas também passam fome!”. Não quero entrar no mérito da questão, afinal isso entra em outro assunto que, sinceramente, não quero falar neste espaço. Escrevi este post porque senti uma necessidade de desabafar. Já tinha pensado em escrever algo relacionado, e o caso da SUIPA foi a gota d’água.

Acho uma injustiça enorme maus-tratos a animais, seja na rua, na SUIPA, ou em uma cobertura da Vieira Souto. Acho isso um ato covarde, uma atitude extremamente egoísta. As pessoas transformaram os animais em objetos descartáveis; quando enjoam ou se cansam, “jogam fora”. Tenho dois exemplos aqui em casa assim. Como já comentei neste post, Tobias e Theo foram adotados porque seus antigos donos simplesmente desistiram deles. Não quero generalizar, acredito que há pessoas comprometidas que, por algum infortúnio não possam mais ficar com seus animais de estimação. A vida é complicada e não sabemos o dia de amanhã, ninguém está livre disso. Mas transformar o hábito de criar um animal de estimação para uma “troca de roupa” já é demais.

Digo e repito, se tem uma coisa que me deixa muito triste e profundamente magoada é a situação de muitos animais por aí. Às vezes me dá vontade de recolher todos os animais abandonados. Tipo coração de mãe, sabe? Tem sempre espaço para mais um. Eu sei que isso é impossível, mas acho que cada um tem sua responsabilidade. É preciso conscientizar as pessoas que ter um animal em casa significa ter calma, paciência, disponibilidade, dedicação. Sim, é divertido e muito legal ter um para chamar de seu, mas trabalho. Tem que pensar bastante antes de tomar uma decisão, pois, como já disse, ele não é uma calça que, depois de usada, você dá para qualquer pessoa.

É gratificante poder dar tanto amor e carinho para os animais. Eles não são complicados como nós, seres humanos. Só querem um pouco da sua atenção, um lugar seguro para ficar, comida e água. Adoro chegar em casa depois de um dia longo, estressante, cansativo, e ter três rabinhos balançando pra mim. Esses simples gestos me deixam muito feliz, me dou por satisfeita.

Sim, a situação da SUIPA é triste e de deixar qualquer um revoltado, mas a culpa maior é das pessoas. A mentalidade das pessoas tem que mudar, a posse do animal tem que ser responsável, tem que haver castração (tanto das fêmeas quanto dos machos) para diminuir a população das ruas. Acredito no trabalho deles e de diversas entidades do tipo que fazem esse trabalho, o problema é que algo tem que ser feito. É preciso investigar e punir os responsáveis por esta situação.

Por isso, quem quiser um animal de estimação, ADOTE. Existem milhares de bichinhos precisando de um lar com muito amor e carinho, ajude-os!

Links das reportagens: aqui, aqui e aqui.

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1 comentário a “Um (pequeno) desabafo

  1. A verdade é que, tanto as crianças abandonadas quantos os animais casos maiores os cães da cidade grande, a culpa maior é do ser humano,irracível e sem e sem coração. E nossa também,como cidadãos que, elegemos e permitimos que os nossos eleitos se envolvam em mares de corrupção. estão acabando com as nossas florestas e a nossa fauna. O meu cerrado na Bahia está sendo depenado em nome de uma economia galopante. Aqui mesmo em São Paulo ,recentemente uma quadrilha foi presa.Delito:pegar cães das ruas para engorda,abate e venda para restaurantes coreanos,clandestinos.É o fim da picada.

    Este seu desabafo, é uma crônica para ser refletida e tomarmos coargem para agirmos como cidadãos brasileiros.Louvo -te com muita carinho pela as belas linhas verdadeiras,aqui escritas.

    PARABÉNS

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